20 de junho de 2007

Assembléia Geral da Irmandade aprova exercício financeiro de 2006

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Maceió (SCMM) aprovou o Ba-lanço e os Demonstrativos Contábeis do exercício 2006 em Assembléia Geral realizada no auditório do Centro de Estudos Professor Lourival de Melo Mota. O índice de pre-sença chegou a 71%.
Em seu discurso, o provedor dr. Humberto Gomes de Melo fez um breve relato sobre as realizações de 2006 e antecipou alguns números da contabilidade, que foram apresentados com maior profundidade pela Controladoria da Santa Casa.
Dr. Humberto frisou que os números do exercício 2006 poderiam ser analisados no relatório impresso entregue a todos irmãos e autoridades constituídas do Estado e também publicado nos principais jornais da cidade. Antes, porém, prestou homenagem ao decano da Oftalmologia dr. Mendes e ao magistrado Fernando Tourinho pela contri-buição de ambos, em suas respectivas áreas, ao bem-estar da sociedade alagoana.
Números
“A nossa receita líquida superou em 10% o que havíamos atingido em 2005, tendo alcançado a cifra de R$ 62,7 milhões. Infelizmente, a participação do SUS nas receitas foi de apenas 33%. Mesmo com o enorme prejuízo causado pelo SUS, ainda tivemos um superávit de R$ 978 mil. Continuamos com indicadores financeiros que colocam a Santa Casa de Maceió em posição de destaque junto a instituições de crédito e à socie-dade alagoana”, resumiu o provedor.
Para fazer face aos atendimentos dos pacientes do SUS, a Santa Casa de Maceió recebeu R$ 18,8 milhões em 2006, mas os gastos com os mesmos pacientes foram de R$ 27,3 milhões, demonstrando, que, para cada R$ 100,00 de despesas com os pacien-tes do SUS, a Santa Casa recebeu apenas R$ 68,85.
“O quadro é mais gritante quando comparamos a assistência hospitalar, onde o custo para mantermos os 34.631 pacientes-dia, internados pelo SUS, foi de R$ 11,8 mi-lhões e a Santa Casa recebeu apenas R$ 4,1 milhões. Ou seja, para cada R$ 100,00 de despesas com internações hospitalares do SUS, a Santa Casa recebeu menos de R$ 35,00”, contabilizou o dirigente da Santa Casa.
E prosseguiu: “por quanto tempo poderemos continuar atendendo aos pacientes do SUS, com tamanhos prejuízos, sem que haja comprometimento da qualidade dos servi-ços que prestamos?”, indagou.
Em sua exposição, o gerente financeiro da SCMM, Severino Gomes de Moura, destacou a importância da implantação do sistema de informática MV, que vem permi-tindo, inclusive, analisar gastos individualizados de cada um dos pacientes atendidos pela Santa Casa. Moura citou também o parecer dos técnicos da BDO Trevisan, empre-sa de renome internacional, contratada para realizar uma auditoria independente na con-tabilidade da instituição.
“As demonstrações contábeis representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Santa Casa de Misericórdia de Maceió em 31 de dezembro de 2006 (…) de acordo com as práticas contábeis adotadas no Bra-sil”, atestou Gilberto Galinkin, sócio-contador da BDO Trevisan, em documento apre-sentado à Irmandade. A contratação da BDO, inclusive, foi citada pelo provedor Hum-berto Gomes como uma “ousadia” administrativa da atual gestão da Santa Casa.
Dácio Guimarães Borges, coordenador administrativo da Controladoria, aprofun-dou os números do demonstrativo contábil, com destaque para as internações em 2006, que totalizaram 66,2 mil pacientes-dia, sendo 34,6 mil (52,3%) de pacientes do SUS.
“Como se pode observar, a instituição deixou de atender a meta de 60% de pacien-tes-dia para o SUS, conforme prevê a legislação. Isso ocorreu, não por causa da falta de leitos ou de atendimento, mas devido às dificuldades do teto financeiro do município de Maceió, conforme declaração da própria Secretaria Municipal de Saúde, anexada no presente relatório”, explicou Dácio.
Ainda segundo ele, mesmo não atingindo o percentual previsto na legislação, os princípios da filantropia e beneficência foram atendidos pela Santa Casa de Maceió quando complementou com gratuidade (13,55% sobre o total da isenção usufruída) o que faltou para alcançar os 60% de pacientes-dia do SUS.

20 de junho de 2007