16 de agosto de 2010

Pedra na vesícula é bomba-relógio e põe pacientes em risco de morte

Cirurgião Renato Rezende

Cirurgião Renato Rezende

Responda rápido: o que acontece quando a saída de ar da panela de pressão é obstruída? A resposta, claro, é o aumento de pressão. Aumento este, que pode levar até mesmo ao ponto de explosão. Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos isso o que ocorre quando cálculos (pedras) obstruem a vesícula biliar, impedindo que a biles siga para iniciar o processo digestivo.
"O rompimento da vesícula biliar assemelha-se ao apendicite, pondo o paciente em risco de morte devido à possibilidade de infecção generalizada”, explicou o cirurgião da Santa Casa de Maceió, Renato Rezende.
A vesícula biliar é um órgão auxiliar do fígado. Funciona como um armazém que libera a biles quando há alimentos no estômago. Acabou a digestão, a vesícula volta a armazenar a bile.
Os cálculos começam a se formar quando a vesícula não consegue liberar todo estoque de biles regularmente. A biles é uma substância cuja composição inclui colesterol e cálcio. Esses resíduos que se depositam nos dutos que levam até a vesícula são a grande preocupação dos médicos.
“Pense numa piscina sem manutenção. Com o passar do tempo, os resíduos mais pesados se depositam no fundo”, comparou Rezende.
A literatura médica indica que as mulheres são as mais efetadas pelo problema na proporção de um homem para cada três mulheres. Cerca de 15% da população desenvolve cálculo na vesícula ao longo da vida, muitas vezes de forma até mesmo assintomática.
“Há médicos que preferem aguardar que o cálculo se manifeste de forma mais visível. Eu e muitos colegas defendemos que é melhor realizar a intervenção cirúrgica assim que for diagnosticado o cálculo. Trata-se de uma bomba-relógio com prazo para explodir. É arriscado esperar sua evolução”, alerta o cirurgião Renato Rezende.
Apesar de existirem medicamentos e tratamentos que tentam minimizar os sintomas provocados pelo cálculo vesicular, o melhor tratamento ainda é a intervenção cirúrgica. No procedimento, a vesícula é simplesmente retirada, assim como ocorre quando ocorre a inflamação do apêndice.
Questionado sobre a ausência da vesícula para o organismo, Renato Rezende explica que outros órgãos passam a cumprir esta função entre o fígado e o estômago.
Quanto à intervenção cirúrgica, o baixo índice de risco proporcionado pela videolaparoscopia reforça a tese de que é preferível retirar a vesícula do que aguardar a piora no quadro clínico. “A Santa Casa de Maceió foi pioneira na realização da videolaparoscopia. Cerca de 85% de deste tipo de cirurgia são de pacientes com cálculo na vesícula.
A Santa Casa de Maceió já realizou 20 mil videolaparoscopias desde 1993. O procedimento implica na abertura de quatro orifícios por onde passam os intrumentais, evitando grandes incisões.

16 de agosto de 2010