1 de dezembro de 2018

Uso inadequado de antibióticos amplia resistência bacteriana

Em 2050, a resistência a antimicrobianos matará 10 milhões/ano superando os óbitos por câncer

Médica Tereza Tenório: problema é mundial

Você sabia que o hábito de tomar antibióticos sem prescrição médica pode aumentar a resistência das bactérias a esse tipo de medicamento? Algumas dessas bactérias, inclusive, já são superiores aos melhores medicamentos existentes hoje no mundo.

Há 20 anos, por exemplo, uma pneumonia era tratada frequentemente com medicamentos de primeira geração. Atualmente, esses medicamentos estão contra-indicados devido à resistência bacteriana de quase 100% a essas drogas, exigindo o uso de antimicrobianos de largo espectro e alto custo.

Mas, qual a solução para o problema?

No ambiente hospitalar, a Gerência de Riscos e Práticas Assistenciais, responsável pelo controle de infecção, vem realizando trabalhando com o corpo clínico e a equipe multidisciplinar para a construção e gerenciamento de protocolos clínicos que permitem ajustes terapêuticos guiados pela evolução clínica.

Já no âmbito doméstico, a solução depende de você, leitor, que usa antibiótico para combater tudo o que é doença, de um simples resfriado a casos mais sérios. “Não se deve tomar medicamentos, principalmente antibióticos, sem a devida orientação médica”, alerta a médica Tereza Tenório, gerente de Riscos e Práticas Assistenciais da Santa Casa de Maceió.

Ela lembra o exemplo de muitos pacientes que insistem para que o seu médico prescreva medicamentos e, quando não conseguem, recorrem à automedicação e aos antibióticos.

“Cerca de 80% das infecções das vias aéreas superiores são causadas por vírus, Elas não podem ser tratadas com antibióticos”, alerta Tereza Tenório.
Ela explica o problema do uso indiscriminado de antibióticos.

Algumas cepas de bactérias “aprendem” a se defender de tais drogas, principalmente se forem administradas de forma errada. Preocupa o fato de que até bactérias já conhecidas começam a superar drogas mais poderosas.

Leia a bula

Outro problema da automedicação são os efeitos colaterais. Ela citou o caso de um paciente que não leu a bula do medicamento. “Havia contraindicação para a exposição ao sol. Sem saber disto, ele foi à praia num dia ensolarado e adquiriu erisipela”, diz Tereza Tenório. Ela lembrou dezenas de outros efeitos colaterais como distúrbios psiquiátricos, parada cardíaca entre outros.

Milhões de óbitos

Se medidas não forem tomadas para o uso racional de antibióticos, estimativas da OMS indicam que em 2050 uma pessoa morrerá a cada três segundos em consequência de agravos causados por resistência aos antimicrobianos, o que representará 10 milhões de óbitos por ano, ultrapassando a atual mortalidade por câncer (8,2 milhões de mortes/ano).

Com relação ao uso desses produtos, entre 2000 e 2010 foi registrado um aumento de 36% no consumo de antimicrobianos em 71 países, sendo que Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China responderam por três quartos (75%) desse crescimento.

No Brasil, somente em 2015, foram comercializadas 73 milhões de embalagens de antimicrobianos, de acordo com dados do Sistema de Acompanhamento do Mercado de Medicamentos (Sammed).

Mobilização

O enfrentamento do problema requer a participação de toda a sociedade. Nesse sentido, a OMS promove a Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos, que, neste ano, ocorreu em novembro.

Com o tema: “A mudança não pode esperar. Nosso tempo com antibióticos está se esgotando”, a mobilização chama a atenção das pessoas para os riscos dos antibióticos e dos médicos para que orientem seus pacientes.

1 de dezembro de 2018

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