4 de março de 2019

Gestão hospitalar é tema de aula inaugural da Residência Médica 2019

O encontro de acolhimento aos novos médicos residentes da Santa Casa de Maceió inovou este ano com uma breve explanação do diretor administrativo financeiro Dácio Guimarães.

Em pauta, um assunto pouco visto na formação dos médicos: como manter a saúde financeira de um hospital filantrópico como a Santa Casa de Maceió e qual a participação dos médicos neste objetivo.

Antes da palestra, o provedor Humberto Gomes de Melo; o coordenador da Comissão de Residência Médica (Coreme), Davi Buarque, e a gerente Alayde Rivera (Divisão de Ensino e Pesquisa) deram as boas-vindas aos 32 médicos aprovados este ano nos 15 programas de residência médica do hospital.

De antemão, o provedor informou que terá a oportunidade de ouvir e conhecer cada um nas próximas edições do Almoço com o Provedor. O evento é realizado sempre às sextas e reúne profissionais e colaboradores de várias áreas do hospital.

Já o geriatra Davi Buarque frisou que o trabalho conjunto entre a Coreme e a Divisão de Ensino e Pesquisa vem permitindo o atendimento das demandas dos residentes e, ao final da residência médica, a entrega à sociedade de bons profissionais.

Alayde Rivera também frisou que os dois órgãos atuam juntos, sendo o espaço aberto para o suporte aos médicos residentes. Ela antecipou que os vários programas possuem de três a seis preceptores.

Origens

Dos 32 médicos residentes da turma 2019 que começa agora, 17 formaram-se em faculdades alagoanas, sendo onze pela Universidade Federal de Alagoas e seis pela Universidade de Ciências da Saúde do Estado.

Os demais vieram de outros estados, sendo quatro de João Pessoa e três de Campina Grande (PB) e três de Recife (PE). De Presidente Prudente (SP), Rio de Janeiro, Rio Branco, Fortaleza veio um representante cada.

O outro lado da saúde

Diretor administrativo-financeiro Dácio Guimarães

Os novos médicos residentes tiveram uma oportunidade rara de conhecer o outro lado da saúde: aquela formada por números e que podem revelar se um hospital é ou não sustentável do ponto de vista financeiro.

O diretor administrativo-financeiro Dácio Guimarães deu uma breve aula sobre como a Santa Casa de Maceió consegue manter-se saudável financeiramente quando as mais de 2.100 Santa Casas do país enfrentam sérias dificuldades de caixa.

Receitas oriundas de convênios e particulares, racionalização de recursos, profissionalização da gestão, adoção de indicadores de qualidade e de gestão e um trabalho contínuo de redução de desperdícios. Esse são alguns dos ingredientes que um hospital filantrópico como a Santa Casa de Maceió deve seguir para manter o equilíbrio de suas contas e continuar a prestar uma assistência de qualidade tanto aos pacientes do SUS como de convênios e particulares.

Ele apresentou as atuais modalidades de remuneração das operadoras de planos de saúde no mundo e o que já está mudando nesta área. Abordou o prejuízo que o Sistema Único de Saúde deixa mensalmente nas contas dos hospitais, o caminho trilhado pela instituição para manter sua saúde financeira e, particularmente, o que cada médico, em sua prática diária, pode fazer para agravar ou reduzir esse déficit.

Dácio Guimarães falou também sobre os novos sistemas de gestão que permitem aos gestores acompanhar a produtividade de cada médico. Entre eles estão indicadores individuais que revelam a ocorrência de desperdício, como tempo cirúrgico, gastos em procedimentos entre outros.

No encontro, o executivo anunciou inclusive uma novidade que já é realidade na Europa há mais de 30 anos: uma das maiores operadoras de saúde do País está adotando um modelo de remuneração que privilegia qualidade e a eficiência na assistência ao paciente.

“Hoje a remuneração é por procedimento. No contrato que estamos assinando, a Santa Casa será remunerada por um conjunto de serviços prestados ao paciente”, disse Dácio Guimarães. Nesta modalidade, o hospital é melhor remunerado, mas desde que realizem um atendimento de qualidade e que não ocorram desperdícios ou eventos adversos que retardem a alta do paciente.

“No modelo de remuneração atual não importa se a assistência ao paciente é eficaz e de qualidade. Nesta nova modalidade, qualidade, eficiência e redução de desperdício são a palavra-chave”, comentou o executivo. Neste sentido, todos os profissionais do hospital, incluindo os médicos, podem fazer a sua parte justamente reduzindo os desperdícios.

“Um aplicativo que estamos implementando, inclusive, poderá ser utilizado pelos médicos para avaliar sua performance”, anunciou.

 

4 de março de 2019