13 de maio de 2019

Embolização: Santa Casa de Maceió na vanguarda das cirurgias minimamente invasivas

 

Procedimento exige equipe altamente qualificada e tecnologia; confira as aplicações da técnica

Cirurgião endovascular Bruno Freitas e colegas de vários estados do País em procedimento realizado na Santa Casa de Maceió

A Santa Casa de Maceió sediou esta semana um curso inédito de técnicas avançadas de microcateterismo e embolização promovido pelo Serviço Avançado de Doenças de Vasculares do hospital.

O Evidence Expert Course reuniu seis especialistas de diversos estados do País para discutir e realizar procedimentos minimamente invasivos que estão na vanguarda neste campo em todo o mundo. Dez pacientes foram beneficiados, sendo quatro pelo Sistema Único de Saúde e seis de convênios.

“Estamos falando não apenas da área cardiovascular, mas do tratamento de malformações vasculares pulmonares e do fígado, além de terapias inovadoras de quimioterapia superseletiva para o tratamento menos agressivo de nódulos malignos e benignos em vários órgãos”, explica o cirurgião endovascular Bruno Freitas.

“Iniciativas como essa fortalecem a posição da Santa Casa de Maceió como centro de excelência e vanguarda na assistência em cirurgia vascular, endovascular e angiorradiologia intervencionista em nosso país.

Hoje estamos entre os cinco maiores centros de formação médica vascular do Brasil”, comentou Bruno Freitas, que apresentou recentemente em Londres, em congresso internacional, uma técnica inovadora realizada na Santa Casa de Maceió.

Terapia-alvo

Especialistas reunidos no Evidence Expert Course utilizaram a embolização como terapia-alvo no tratamento de pacientes com tumor no fígado. Sem este procedimento, o paciente internado na Santa Casa de Maceió não poderia ser submetido a nenhum outro tipo de intervenção.

A embolização em si é uma técnica que injeta numa artéria material capaz de obstruí-la completamente. Com isso se consegue cortar o “alimento” do tumor, por exemplo, na tentativa de “matá-lo de fome” pela falta de irrigação sanguínea.

No caso apresentado no Serviço Avançado de Doenças de Vasculares da Santa Casa de Maceió, o catéter introduzido no paciente levou altas doses de quimioterápicos até o tumor instalado no fígado do paciente. Em seguida, interrompeu o fluxo sanguíneo que irriga o tumor.

“Ou seja, atuamos em duas frentes: levando o quimioterápico até o alvo, no caso, o tumor – buscando, sobretudo, preservar o órgão – e cortando sua fonte de alimentação”, explicou o cirurgião endovascular Bruno Freitas.

Mioma uterino

O século XX foi testemunha do surgimento de vários procedimentos minimamente invasivos que buscaram reduzir os danos à integridade física do paciente (como cicatrizes); uma eficácia melhor no processo de recuperação com menos riscos e alta hospitalar precoce; além de redução nas despesas hospitalares entre outros.

A evolução da tecnologia nos campos da óptica e dos instrumentais elevou essas intervenções minimamente invasivas a outro patamar, ampliando o leque de aplicações que hoje abrange as áreas cardiovascular, urológica, neurológica, oncológica entre outras.

A embolização, utilizada pelos médicos reunidos no Evidence Expert Course, ajudou a tratar, por exemplo, um mioma uterino que em outra circunstância poderia levar à perda do útero. No caso, a embolização obstruiu a artéria que nutria o mioma, fazendo com que nódulo benigno regredisse, e garantiu a integridade do órgão.

A paciente recebeu alta no dia seguinte à intervenção, sem cicatrizes de incisões, retornando à sua rotina normal entre 3 e 5 dias, evitando uma cirurgia mais agressiva e mutiladora.

Pulmão e intestino

A última edição do Evidence Expert Course, realizado na Santa Casa de Maceió, beneficiou também três pacientes com problemas pulmonares e um no intestino, região próxima ao reto.

Dois pacientes apresentaram um quadro de sangramento pulmonar, que poderia levá-los a óbito por sufocamento. Foi necessário fazer a embolização, identificando os vasos que nutriam a região afetada e bloqueando sua expansão até completa cicatrização.

No outro caso, o paciente apresentou sangramento pelo reto graças a uma hemorragia no fim do intestino grosso.

Caso fosse realizado um tratamento convencional seria preciso abrir o abdômen e retirar parte do intestino.

Nesses casos o paciente teria de enfrentar o mesmo calvário que o presidente Jair Bolsonaro vivenciou durante a campanha eleitoral, usando bolsa de colestemia, risco de infecções, alimentação diferenciada etc.

Com a embolização, microcateteres são inseridos no paciente por meio de incisões na virilha, conseguindo-se chegar até a hemorragia e cessando-a com a obstrução do vaso.

13 de maio de 2019