19 de agosto de 2019

Protocolo da Sepse da Santa Casa de Misericórdia de Maceió é premiado pela Anvisa

Trabalho foi apresentado no 17º Encontro Nacional da Rede Sentinela e ficou entre os três melhores do Brasil

Sepse é uma doença caracterizada pela presença de disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do organismo à infecção e uma das maiores causadoras de mortes no mundo.  Há dez anos, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió iniciou seu Protocolo de Sepse, registrando uma redução de cerca de 60% do número de óbitos após esse período. O resultado ultrapassa a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde de 25% em cinco anos.

Durante o 17º Encontro Nacional da Rede Sentinela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizado neste mês de agosto, em São Paulo, a instituição apresentou os resultados da auditoria no uso dos antibióticos utilizados no tratamento da Sepse. “O objetivo foi aprimorar a performance do protocolo e a segurança do paciente admitido com esta infecção, que tem uma mortalidade altíssima. Conseguimos identificar uma redução tanto no tempo do uso do antibiótico, com menor tempo de internação, como nos custos do tratamento”, disse Maria Tereza Tenório, gerente de Riscos e Práticas Assistenciais da instituição.

Estudo da Santa Casa de Maceió ficou entre os três melhores do país

O trabalho da Santa Casa de Maceió ficou entre os três melhores num universo de mais de cem apresentados por hospitais de várias partes do Brasil. “Temos conseguido uma redução nas taxas de mortalidade em torno de 60% nos últimos oito anos. Queríamos dar um incremento maior no protocolo, para observar se ele estava sendo cumprido do ponto de vista do ajuste do antimicrobiano correto, após o resultado de cultura. Começamos o tratamento empiricamente com um antibiótico que tenha um maior espectro possível, que consiga eliminar a maioria dos microrganismos mais prováveis naquele foco”, explicou a especialista.

No dia a dia dos médicos que se deparam com um quadro de infecção grave, o paciente recebe o antimicrobiano em até uma hora após apresentar sintomas característicos da Sepse, como febre alta, aumento da frequência cardíaca e respiratória, fraqueza, pressão baixa, diminuição da diurese, sonolência ou sinal de confusão mental. Imediatamente é solicitada a cultura para identificar qual microrganismo está sendo responsável pela infecção.

“Quando se dispõe do resultado dos exames de culturas, é necessário que o médico acesse esse resultado o mais rápido possível e possa fazer o ajuste para verificar se o microrganismo é sensível aos antibióticos em uso, ou se necessita de ajustes no espectro. Com o resultado, o profissional saberá se o paciente está tomando antibiótico adequado, caso contrário poderia acarretar efeitos adversos e aumento da resistência bacteriana. A outra situação é que o tempo de permanência dos pacientes e os custos relacionados aumentam, caso os ajustes não sejam feitos de forma rápida”, disse a gerente de Riscos e Práticas Assistenciais da instituição.

Auditoria comprovou a eficácia da metodologia adotada pela instituição

A auditoria realizada pela Gerência de Risco e Práticas Assistenciais da Santa Casa de Misericórdia de Maceió é um estudo transversal prospectivo, com abordagem quantitativa. Foram estudados os antimicrobianos prescritos para os protocolos de Sepse no período de janeiro de 2018 a abril de 2019.

As variáveis estudadas pela equipe foram: indicação por foco infeccioso, tempo de tratamento, tempo de uso indevido do antimicrobiano, ajuste após resultado das culturas e custo do tratamento com a droga. A coleta de dados se deu através de prontuários e transcritos para formulários e tabelas, realizando intervenções através do contato com o prescritor.

Além de Maria Tereza Freitas Tenório, a infectologista Renata Brandão Leite, as enfermeiras Jaqueline Leobino Silva Melo e Lílian Karla Rocha de Sousa Silva, a fisioterapeuta Fabrícia Jannine Torres Araújo, e o médico Thiago Sotero Fragoso analisaram 980 prescrições. Destas, 177 com culturas positivas, foram avaliadas tanto para o tempo de utilização do antimicrobiano, recomendado pelo protocolo institucional, como para a conformidade com o microrganismo isolado na cultura. As 803 prescrições restantes foram avaliadas apenas pelo tempo de utilização, pois apresentaram culturas negativas ou não realizadas.

O trabalho de auditoria gerou uma redução do tempo de uso indevido de antimicrobianos e uma consequente diminuição de custos extras ao longo do período estudado. Isto culminou uma redução de custos extras com antimicrobianos de 97,8% no primeiro quadrimestre de 2019, quando comparado com o mesmo período de 2018. A redução do tempo de uso de antibióticos foi de 69%, caindo de 4,2 para 0,5 dias.

A auditoria do uso de antimicrobianos utilizados para o tratamento da Sepse demonstrou ser eficaz para a diminuição do tempo de uso da medicação e de custos extras pelo uso indevido. Outrossim, a menor exposição desnecessária a antimicrobianos acarretou maior efetividade no tratamento e menor toxidade cumulativa dos mesmo com aumento da segurança ao paciente.

“O que focamos nesse trabalho foi a redução do tempo de uso destas drogas e, consequentemente, da permanência desses pacientes no hospital e dos custos adicionais”, destacou Maria Tereza Tenório, gerente de Riscos e Práticas Assistenciais da instituição.

O Dia Mundial da Sepse é celebrado em 13 de setembro e, desde 2009, a Santa Casa de Maceió participa de uma ação de conscientização que integra 60 países liderados pelo Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) e pelo Global Sepsis Alliance.

19 de agosto de 2019