4 de fevereiro de 2020

Arritmologista implanta dispositivo que monitora compasso cardíaco

Santa Casa de Maceió usa aparelho que tem bateria interna com duração de até quatro anos

Episódios de desmaio, relato de queda de frequência cardíaca e mal estar. Para tentar o diagnóstico, a paciente de 45 anos passou por uma investigação neurológica e exames como Holter, eletrocardiograma, Tilt Test, cateterismo e de laboratório. Nenhuma conclusão. No dia 27 de janeiro, ela recebeu um looper implantável, que vai monitorar de forma contínua seu ritmo cardíaco e registrá-lo automaticamente ou quando a paciente quiser, por meio de um ativador manual com um controle remoto.

A monitorização dos dados é feita por aparelhos que se conectam por telemetria (sem fio) ao monitor de eventos permitindo a análise desses dados. Segundo o especialista em arritmia/marcapasso, Marcelo Malta, existem dispositivos que possibilitam a transmissão desses dados para aplicativo de celular e outros para dispositivos remotos que normalmente são colocados na mesinha de cabeceira da cama do paciente e em determinado horário se comunica com esse dispositivo.
“Os dados são enviados para uma central em São Paulo e analisados, sem participação humana pela confidencialidade dos dados, por um software de computador que uma vez encontrado arritmias importantes, envia um email e/ou mensagem para o médico do paciente ou mesmo para o paciente de acordo com o que ficar programado, para que medidas sejam tomadas precocemente”, explicou Marcelo Malta, que fez o implante na Santa Casa de Maceió.
Entre 10 e 20 minutos, o monitor de eventos é implantado na camada subcutânea por meio de um procedimento minimamente invasivo apenas com anestesia local. “O local mais comum em que os especialistas implantam é o lado esquerdo da região que circunda o osso esterno, conhecida como área paraesternal, visto que, devido à proximidade do coração, permite uma análise bastante clara e de boa amplitude dos batimentos e com resultados estéticos excelentes visto que a incisão sob anestesia local é de apenas 2 centímetros e o dispositivo fica praticamente imperceptível em baixo da pele”, contou o especialista.

O looper implantável faz o registro como um exame de eletrocardiograma (ECG). A diferença é que, por estar implantado no paciente, ele realiza um monitoramento automático do ritmo cardíaco de forma contínua de acordo com a programação feita especialmente para aquele paciente. “O dispositivo também pode ser ativado pelo paciente quando ele precisar, como durante palpitações ou sintomas que precedem episódios de desmaios”, destacou Marcelo Malta.

TIME: Marcelo Malta, especialista em arritmia/marcapasso, com o cardiologista Carlos Emídio da Mota Araújo

A cobertura do looper implantável pelos planos de saúde é obrigatória para pacientes com história de pelo menos três síncopes (perda completa e transitória da consciência e do tônus postural) de origem indeterminada nos últimos dois anos e que não preencham nenhum dos seguintes critérios: a. história clínica que indique síncope de origem neuromediada ou causas metabólicas, excetuando-se a hipersensibilidade do seio carotídeo; b. ECG prévio que apresente achados que justifiquem a síncope; c. ecocardiograma que demonstre doença cardíaca estrutural. Demais casos deverão serem analisados pelas operadoras de planos de saúde enquanto as novas indicações não são incorporadas no rol da ANS.

Quando a implantação de monitor de eventos é indicada?

O objetivo dos arritmologistas ao indicar a implantação de um monitor de eventos para um paciente é de identificar complicações cardíacas que estejam causando condições específicas prejudiciais à saúde, como a presença de arritmias cardíacas eventuais, que não foram identificadas durante a realização dos exames solicitados.

Paciente também pode ativar o dispositivo

No entanto, existem algumas condições específicas nas quais os especialistas indicam a implantação do monitor cardíaco, tais como:
– Avaliação do ritmo cardíaco de pacientes com suspeitas de arritmias cardíacas de difícil diagnóstico;
– Portadores de acidente vascular cerebral sem causa conhecida;
– Pacientes que apresentam episódios de desmaios recorrentes;
– Pessoas que se queixam de arritmias cardíacas, sejam elas bradicardias (batimentos fracos) ou taquicardia (batimentos acelerados) com baixa frequência e que não são diagnosticadas durante a realização de exames, como o eletrocardiograma ou o uso de Holter 24 horas, por exemplo;
– Análise de pacientes com suspeita de fibrilação atrial, uma arritmia cardíaca que acomete especificamente as câmaras superiores do coração (átrios) e pode levar à formação de coágulos, aumentando o risco de AVC, entre outras complicações. Nesses casos, o monitor cardíaco implantável é indicado para auxiliar o especialista em arritmologia sobre qual a melhor conduta para o caso, tais como a dosagem de medicamento ideal, o tipo de ablação cardíaca ou outro tratamento para a fibrilação atrial, de acordo com o que o dispositivo permitir diagnosticar.
“O monitor de eventos pode permanecer implantado no paciente por um período de até quatro anos ou menos, isso vai depender do que for registrado pelo dispositivo. Há pacientes que tem fibrilação atrial esporadicamente, podendo ter registros a cada dois, três ou seis meses, por exemplo. O looper implantável consegue identificar essas arritmias e possibilita que o médico promova o tratamento adequado ao paciente”, finalizou Marcelo Malta.

4 de fevereiro de 2020