3 de março de 2020

AVANÇOS | Santa Casa de Maceió e os desafios da neurocirurgia

Médicos da instituição aliam técnicas cirúrgicas e tecnologia nos avanços do cuidado com os pacientes

“Temos que desmistificar a neurocirurgia. Esta é uma especialidade extremamente complexa, onde grande parte dos doentes tem patologias graves. Existe o mito de que a maioria dos enfermos sempre vai ter uma evolução ruim, o que não condiz com a verdade”. A afirmação é do neurocirurgião da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, Duarte Nuno C. Cândido, que, junto da equipe do Serviço de Neurocirurgia do hospital alagoano, tem conseguido grandes êxitos em casos de alta complexidade.

Os neurocirurgiões Duarte Cândido e João Gustavo Rocha Peixoto dos Santos em procedimento na Santa Casa de Maceió

As técnicas em microneurocirurgia evoluíram tanto nos últimos anos que hoje em dia é possível operar lesões que outrora eram consideradas não-operáveis. “Os pacientes com patologias tão desafiadoras conseguem ser operados e retornam para suas casas com uma melhor qualidade de vida, muitas vezes curados”, diz o neurocirurgião Duarte Nuno Cândido que é especialista em neurocirurgia da base do crânio e vascular.

Casos com indicação cirúrgica que obrigavam os pacientes a procurarem uma solução fora de Alagoas, muitas vezes em outros estados, como São Paulo, por exemplo, hoje são resolvidos pelo corpo técnico do Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia, como explica o neurocirurgião, visto a disponibilidade tecnológica e investimento em capacitação técnica.

Lesão vascular de fossa posterior

“Quais têm sido nossos objetivos na busca de qualidade? Primeiro ponto tem sido o investimento contínuo em capacitação e aprimoramento das técnicas cirúrgicas. Outro ponto é o acesso muito mais fácil às novas tecnologias do mercado. Isso se traduz em cirurgias mais eficientes e com melhores resultados finais. Sabe-se que a minimização dos riscos inerentes aos procedimentos cirúrgicos é diretamente proporcional ao resultado. Desta forma houve investimento em técnicas minimamente invasivas ao longo dos anos. Por exemplo: no Serviço, temos realizado hoje técnicas minimamente invasivas no tratamento da coluna vertebral. Isso significa que com pequenas incisões, guiadas por aparelhos específicos, podemos ter resultados até melhores que com técnicas convencionais, pois diminui-se em muito as perdas sanguíneas e dor pós operatório. Isso é especialmente importante quando tratando populações mais idosas ou que tem riscos cirúrgico alto. “, explicou o especialista.

Ainda falando de avanços e desafios, temos visto que pacientes com tumores extremamente graves, invasivos e raros como paragangliomas jugulares, meningeomas petroclivais (região da base do crânio), neurinomas (schwanomas) do acústico, além de outras lesões invasivas da base do crânio, que são de difícil acesso e tem chance alta de morbidade e mortalidade aos pacientes, têm sido operados com sucesso no hospital alagoano. “Há patologias que são tão extensas que temos que remover quase que totalmente o osso da base do crânio, pois são muito profundas e invasivas. Estes procedimentos exigem grande dedicação, são cirurgias longas e de alto nível de destreza e comprometimento com o paciente” explicou o neurocirurgião Duarte Cândido.

“Quanto aos neurinomas do acústico, algo que mudou nos últimos anos é que hoje não buscamos mais apenas a retirada completa da lesão, mas temos conseguido alcançar a preservação do Nervo Facial (consequentemente a mimica facial), pois essa é principal morbidade relacionada com este tipo tumoral”, completou o especialista.

Hospital recebe casos de alta complexidade

Em 2019, o Serviço de Neurologia e Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia de Maceió realizou a primeira cirurgia, em Alagoas, com um paciente acordado, aumentando seu rol de técnicas. Este é um tipo muito específico de indicação cirúrgica, pois visa tratar lesões que estão em áreas muito eloquentes cerebrais (por exemplo áreas motoras, de linguagem etc). A cirurgia foi executada pelos neurocirurgiões João Gustavo Rocha Peixoto dos Santo e Duarte Cândido.

Duarte Cândido é especialista na base do crânio

Na subespecialidade da neurocirurgia vascular, a Santa Casa de Maceió tem oferecido constantemente tratamento definitivo para lesões como Aneurismas Cerebrais, Mal-Formações Arteriovenosas, Cavernomas Cerebrais entre outras. Os dois primeiros casos são de longe os mais frequentes e podem ter consequências devastadoras, pois em sua maioria tem seu diagnóstico apenas quanto se é sofrido o evento hemorrágico. Daí a importância da equipe em estar pronta para atender de imediato e evitar eventos subsequentes de hemorragia.

Mensalmente, o Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Maceió realiza em torno de 30 cirurgias de alta complexidade. “Temos lutado pela busca da excelência do serviço de neurocirurgia. Tentando desmistificar o medo que se criou com a especialidade. Nosso objetivo sempre é a preservação da função neurológica normal do paciente e temos tido ótimos resultados quanto a isso. Hoje acreditamos sempre em retornar nosso paciente ao convívio de sua família mantendo sua qualidade de vida. Operamos casos tidos antigamente como inoperáveis e conseguimos resultados com a mesma perícia com a qual é realizado fora do Brasil”, destacou o neurocirurgião.

A evolução do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia está ligada às novas tecnologias disponibilizadas pelo hospital. “Na Santa Casa de Maceió, são utilizados microscopia, endoscópios, drills de alta rotação, tesouras especificas e fios microcirúrgicos, porém não podemos esquecer os outros dois pilares para esses bons resultados, que são as equipes excepcionas de anestesia e de terapia intensiva neurológica que se fazem presentes em cada um desses casos. Quanto maior a complexidade, mais difícil o tratamento e estas equipes de Neurocirurgia, Anestesia e Terapia Intensiva Neurológica, tem que trabalhar em harmonia”, finalizou o neurocirurgião Duarte Nuno C. Cândido.

3 de março de 2020