31 de agosto de 2020

Atuação multiprofissional colhe bons resultados em pacientes com covid-19

Santa Casa de Maceió investe na fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para recuperar doentes graves

O cuidado integral ao paciente diagnosticado com covid-19 na Santa Casa de Maceió tem devolvido a qualidade de vida dos que apresentaram quadros graves da doença. Dias e dias de internação, muitos deles na UTI e com a necessidade de intubação, exigem, além da atuação de médicos e enfermeiros, a intervenção de fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais antes e, em alguns casos, após a alta. Esse trabalho conjunto vem restabelecendo atividades básicas, como respirar, andar e comer sem auxílio e em segurança.

Sociedade descobriu as aplicações da fisioterapia respiratória durante a pandemia

“Os pacientes de covid-19 são muito heterogêneos e vão desde os que desenvolvem sintomas mais leves, que muitas vezes nem precisam do núcleo de reabilitação, até os que têm a forma mais grave da doença, quando necessitam não só de intervenções hospitalares mais complexas, mas, no pós-alta, com a cura da doença, vão precisar de acompanhamento de reabilitação. Geralmente, eles têm perdas reversíveis e terão ganhos progressivos. Diferente de um paciente não covid e com lesão irreversível, ele vai estacionar essa perda. Mas, normalmente, dependendo da gravidade do caso, a recuperação se dará a longo prazo”, destacou a fisioterapeuta Fabrícia Jannine Torres Araújo.

Ainda segundo profissional, foi durante a pandemia que a sociedade descobriu a fisioterapia respiratória. “Tivemos, e ainda temos, uma importância muito grande durante esse período, pois tem sido uma das áreas mais solicitadas. Ela trata das insuficiências respiratórias mais graves que levam os pacientes a precisar de aparelhos para respirar. Essa condução, junto com o médico, é feita pelo fisioterapeuta. A Santa Casa de Maceió, por exemplo, tem uma equipe multiprofissional completa, mas nos hospitais que não dispõem desse time foi necessário chamar profissionais para conduzir os pacientes mais graves”, afirmou.

A fonoaudióloga Claudiégina Machado, o terapeuta ocupacional Tarcísio Dionísio e a fisioterapeuta Fabrícia Araújo atuam diretamente na reabilitação do paciente covid

Quando os pacientes são intubados, eles recebem sedação e, para não interagir com o respirador, precisam de um bloqueador neuromuscular, o que faz com que tenham total paralisação da mecânica respiratória. O ventilador passa a trabalhar por ele. Dessa forma, pacientes hospitalizados sofrem perdas de massa muscular devido ao imobilismo, o que pode prolongar o uso da ventilação mecânica. Nesse contexto, além da fisioterapia respiratório, a fonoaudiologia e terapia ocupacional também dispõem de condutas, dentro de protocolos de segurança hemodinâmica e metabólica, que preconizam preservar ou melhorar a integridade e amplitude das funções cognitivas do paciente.

Fonoaudiologia vai além da comunicação

Na rede de cuidado da Santa Casa de Maceió, a fonoaudiologia é uma das áreas que atuam na reabilitação do paciente. “O foco está no manejo da disfagia (dificuldade para engolir) e redução do risco de broncoaspiração (alimentos, saliva ou qualquer substância aspirada para a via aérea), pois pacientes com dificuldade de respiração ou que tenham feito uso de ventilação mecânica invasiva prolongada apresentam elevado risco de aspirar alimento para os pulmões e desta forma evoluir com agravamento no quadro pulmonar, e isto é tudo o que não queremos. Até o momento, os resultados têm sido muito positivos, sem nenhum registro de broncoaspiração” explica a fonoaudióloga Claudiégina Machado.

Foco da fonoaudiologia está no manejo da disfagia (dificuldade para engolir) e redução do risco de broncoaspiração

A intervenção do fonoaudiólogo no ambiente hospitalar busca avaliar e definir qual a via de alimentação e/ou consistência do alimento é segura para o paciente, reabilitar a função da deglutição, restaurar a qualidade vocal e melhorar a comunicação dos pacientes na fase de recuperação clínica. Estas intervenções são realizadas tanto nas UTIs quanto nos demais setores de internação.

“Pacientes que acabam indo para uma traqueostomia, que é intervenção cirúrgica que abre um orifício na traqueia para a colocação de uma cânula que ajuda na passagem de ar, mas não conseguem desmamar da traqueo ou evoluir o quadro respiratório apresentam alteração com relação a fala, então precisamos trabalhar afim de restabelecer a comunicação”, disse.

Terapia ocupacional trabalha o “fazer o humano”

A covid-19 é uma doença que traz um quadro generalizado de perda ou diminuição da força física, o que pode acarretar problemas no desempenho ocupacional e cognitivo do paciente. O profissional da Terapia Ocupacional (TO) vai desenvolver, elaborar e planejar um tratamento focado nas Atividades de Vida diária (AVDs) – banho, alimentação, vestimenta, auto higiene e etc. -, do paciente, estabelecendo meta e objetivo a serem atingidos de acordo com o quadro do doente. Para auxiliar no tratamento dos pacientes com covid-19 na UTI, foram criadas adaptações chamadas de tecnologia assistida, como posicionadores, com materiais disponíveis nas unidades de terapia intensiva para prever deformidades e feridas.

“O desempenho ocupacional é o “fazer humano”. Esse paciente, geralmente, tem dificuldade de se alimentar, se vestir, fazer sua higienização entre outras atividades que chamamos de atividades de vida diária. No contexto de UTI, quando o caso é mais grave e o paciente está intubado, fazendo uso de oxigênio, a TO intervém com técnicas de redução de carga energética, de posicionamento para deformidades e feridas, e de estímulo sensorial que ativa a circulação. O que queremos é devolver a autonomia, independência e funcionalidade desse paciente e algumas adaptações são necessárias para devolver esse “fazer”, desde o ambiente hospitalar como no domiciliar”, explicou Tarcísio Dionísio, terapeuta ocupacional da Santa Casa de Misericórdia de Maceió e especialista em Hemato-Oncologia e Cuidados Paliativos.

“Vimos vários quadros de pessoas mais jovens com perda funcional maior, e em pacientes mais idosos com comorbidades, apresentarem um nível de comprometimento menor. Todo esse contexto é muito novo. Ninguém numa faculdade é preparado para lidar com uma pandemia. O enfrentamento foi um auxiliando o outro, mas foi muito rico em conhecimento no contexto profissional”, avaliou o terapeuta ocupacional.

 

 

 

 

 

31 de agosto de 2020