31 de maio de 2021

Realizado primeiro implante de marcapasso no His em Alagoas

Santa Casa de Maceió acompanha nova tendência para ressincronização cardíaca

A estimulação cardíaca artificial tem evoluído bastante nos últimos anos, tornando-se mais fisiológica e harmônica possível. Recentemente, um novo conceito surgiu com a estimulação seletiva do feixe de His, um grupo de fibras que conduz os impulsos elétricos a partir do nódulo atrioventricular e que divide-se em outros dois ramos: o ramo esquerdo conduz os impulsos ao ventrículo esquerdo, e o ramo direito conduz os impulsos ao ventrículo direito.

Momento do implante dos eletrodos no paciente; impulsos elétricos são conduzidos a partir do nódulo atrioventricular

No dia 26 de abril deste ano, o Serviço de Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca da Santa Casa de Maceió fez o primeiro implante de um marcapasso hisiano. O paciente de 46 anos, passa bem e já teve alta hospitalar. Para os especialistas, a tendência natural é a de que, em alguns casos, este marcapasso possa substituir a ressincronização cardíaca tradicional, trazendo os mesmos benefícios da estimulação multissítio.

A ressincronização ainda é a terapia padrão para pacientes com insuficiência cardíaca e outros casos. Contudo, nos pacientes com dificuldade em posicionar eletrodo no ventrículo esquerdo (VE) e naqueles com indicação de marcapasso tradicional, a estimulação do feixe de His pode ser uma opção viável e eficaz.

“Essa alternativa de estimulação monossítica é bem mais promissora do que a estimulação do ventrículo direito (VD), pois a estimulação do VD, sabidamente, gera um bloqueio de ramo esquerdo (BRE) eletromecânico, o que pode causar prejuízo ao paciente com a diminuição da fração de ejeção, piora da insuficiência cardíaca e qualidade de vida em pacientes que já tenham alguma disfunção ventricular”, explicou o eletrofisiologista Edvaldo Xavier.

A principal manifestação no eletrocardiograma (ECG) pós implante do marcapasso no feixe de His, é o estreitamento da duração do complexo QRS. “Em breve, esse novo tratamento também se estenderá aos usuários do SUS”, finalizou o especialista.

31 de maio de 2021