4 de abril de 2022

Tabagismo e bebida alcoólica são os principais vilões do câncer do esôfago

Tratamento indicado é trimodal (radioterapia, quimioterapia e cirurgia), diz especialista

Seguindo o mês de março, que trouxe um alerta para o câncer colorretal, o mês de abril é voltado para a conscientização do câncer de esôfago, uma doença pouco frequente, mas com alta mortalidade devido ao diagnóstico tardio. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que ele é o sétimo câncer mais incidente entre os homens e o 13º entre as mulheres.

Câncer de esôfago é o sétimo câncer mais incidente entre os homens e o 13º entre as mulheres

O esôfago é um tubo que conecta a garganta ao estômago. O desenvolvimento do câncer neste órgão tem uma relação direta com a exposição excessiva de agentes agressores, principalmente as contidas no cigarro e em bebidas alcoólicas. Também pode se desenvolver em pacientes que tem doença do refluxo, comum em pessoas obesas, em que o conteúdo gástrico retorna para o esôfago causando irritação, manifestado por queimação.

Nas fases iniciais, o câncer de esôfago raramente apresenta sintomas, o que dificulta o seu diagnóstico precoce. Entretanto, com a progressão da doença, alguns sintomas são característicos, como dificuldade ou dor ao engolir, dor retroesternal (atrás do osso do meio do peito), náuseas, vômitos e perda do apetite, consequentemente, os pacientes evoluem com importante perda do peso corporal. “A presença desses sintomas, principalmente a dificuldade de engolir (disfagia), já sinaliza uma doença em uma fase avançada”, informa o cirurgião do aparelho digestivo da Santa Casa de Maceió, Filipe Augusto.

O diagnóstico é feito por meio da endoscopia digestiva alta (“exame da borracha”) com a realização da biópsia da lesão. Após a confirmação da neoplasia são realizados exames para avaliar a extensão da doença e assim planejar o melhor tratamento.

Cirurgião Filipe Augusto faz alerta para a prevenção da doença

Com os avanços da oncologia nas últimas décadas e associação de técnicas modernas de radioterapia, quimioterapia e cirurgia minimamente invasiva (vídeo), o prognóstico dos pacientes com câncer de esôfago melhorou consideravelmente.

“Hoje para o tratamento da doença maligna do esôfago é necessária uma equipe especializada e experiente atrelada a uma estrutura hospitalar completa, pois, na maioria das vezes, realizamos cirurgias de alta complexidade”, ressalta o especialista. Assim como na maioria dos tipos de câncer, o diagnóstico precoce faz uma grande diferença no prognóstico desses pacientes, aumentando as chances de cura, mas, o mais importante é a prevenção. “A recomendação é ter uma alimentação saudável, rica em frutas e legumes, evitando bebidas quentes e alcoólicas, abolir o cigarro da vida e praticar atividade física regularmente” finaliza Filipe Augusto.

4 de abril de 2022