Santa Casa
Guia de Doenças

HIPERIDROSE (sudorese excessiva)

 

Artur Gomes Neto

 

O suor é um mecanismo fisiológico do corpo humano para regular a temperatura corpórea, especialmente no calor e durante exercícios. A hiperatividade das glândulas sudoríparas leva à perspiração excessiva. O termo hiperidrose é utilizado para definir essa condição.
É uma doença benigna relativamente frequente, com incidência estimada em 0,6 a 1 % da população. Trata-se de uma doença extremamente desconfortável, com profundo embaraço social e transtornos psicológicos e de relacionamento social no portador, que frequentemente é retraído e procura, na medida do possível, esconder o seu problema.

A sudorese excessiva é uma situação constrangedora que dificulta as atividades do dia-a-dia e interfere no trabalho. Simples atitudes como apertar a mão de outra pessoa, escrever, segurar papéis, digitar, e outras atitudes simples podem estar muito afetadas na hiperidrose. Nos casos mais graves pode haver gotejamento da região afetada e, até mesmo, macerações e fissuras da pele. Na região axilar pode ocorrer odor fétido (bromidrose) consequência da decomposição do suor e de bactérias e fungos, assim como nos pés. Andar descalço em piso liso pode tornar-se escorregadio e provocar acidentes.

Qualquer região do corpo pode ser acometida, mas pode ser localizada nas palmas das mãos, planta dos pés, axilas, dobras das mamas e face.

A hiperidrose pode ser essencial, de causa desconhecida, ou secundária a uma doença como hipertiroidismo, distúrbios psiquiátricos, traumatismo raqui-medular, menopausa, obesidade e outras.

 Hiperidrose não é uma condição temporária. Muitas pessoas sofrem com a doença por anos consecutivos, normalmente desde a infância, mas pode aparecer somente na adolescência ou na idade adulta. Às vezes, existe uma tendência familiar. Em climas frios ou quentes a sudorese é constante e pode ser agravada pela ingestão de comidas condimentadas, ansiedade, aumento da temperatura ambiente, febre e exercícios físicos.

Uma outra manifestação da hiperreatividade simpática é o rubor facial. Essa condição é especialmente desencadeada durante atividades sociais importantes ou contato com outras pessoas, o que pode ser extremamente embaraçoso.

O tratamento clínico é a forma clássica de minimizar os efeitos da sudorese excessiva, porém é de resultado questionável nas formas moderadas e graves da enfermidade, às vezes desconfortável e de duração indeterminada. Diversos métodos, produtos e medicamentos são utilizados, tais como: antiperspirantes e adstringentes, talco ou amido de milho natural, banhos com sabonete desodorante, palmilhas absorventes, drogas antidepressivas, ansiolíticos, anticolinérgicos, iontoforese, psicoterapia e injeções de toxina botulínica(Botox).

Recentemente, com a introdução da simpatectomia torácica por videotoracoscopia, ocorreu uma verdadeira revolução no manejo dessa enfermidade. Em pouco tempo tornou-se um método seguro, definitivo, pouco invasivo e de excelente eficácia no controle da doença. O tratamento cirúrgico, tem-se tornado bastante popular pelos cirurgiões torácicos em todo o mundo e amplamente utilizado nos casos moderados e graves. Por meio de uma pequena incisão de meio centímetro na aréola mamária, na linha submamária ou na axila, introduz-se uma câmera de vídeo na cavidade torácica por onde o cirurgião vai visualizar a cadeia de nervos simpáticos ao lado da coluna vertebral. Uma segunda incisão de meio centímetro é realizada na axila por onde se passam os instrumentos a serem utilizados para a secção do tronco ou do gânglio simpático. O procedimento tem duração de cerca de 10 minutos para cada lado e os benefícios da cirurgia são observados imediatamente após o ato operatório, com resultados considerados bons e excelentes em quase 100% dos casos.

Como todo procedimento cirúrgico, a simpatectomia torácica não é isenta de riscos, mas, de uma maneira geral, o procedimento é muito seguro e que pode trazer outros benefícios para o paciente. Assim, observa-se cura em quase todos os casos de sudorese palmar, redução de 80% da intensidade do rubor facial na maioria dos casos e; cura de 95% dos pacientes com hiperidrose facial, eliminação da sudorese axilar, leve redução na freqüência cardíaca que transmite uma sensação de calma, diminuindo substancialmente as palpitações em situações estressantes como apresentações em público. Pacientes com enxaqueca  associada têm observado uma redução na ocorrência das mesmas. Apesar do grande percentual de excelentes resultados, recidivas podem ocorrer em um pequeno percentual de doentes.

Os efeitos negativos mais relatados são: hiperidrose compensatória, sudorese relacionada a degustação de alguns alimentos, síndrome de Claude-Bernard-Horner(muito rara atualmente), pneumotórax, sangramento e neuralgia intercostal.

A hiperidrose compensatória é relatada por cerca de 50 a 85% dos pacientes operados que notam uma maior produção de suor no tronco e pernas durante estresse excessivo ou exercícios, porém, na maioria dos pacientes, esses sintomas são muito leves e não causam transtornos. Apenas 5% dos pacientes sentem-se incomodados mas não desejam reverter para a situação pré-cirúrgica. Sintomas desconfortáveis persistentes raramente são relatados.

A sudorese alimentar é uma complicação rara e bem tolerada que ocorre durante a ingestão de alguns alimentos.

A síndrome de Claude-Bernard-Horner, que consiste em ptose palpebral, miose e enoftalmia, é uma complicação extremamente rara em mãos experientes e ocorre quando há lesão do gânglio cervico-torácico por condução elétrica durante a eletrocoagulação da cadeia simpática, sendo usualmente  transitória.

Pneumotórax acontece pela não evacuação total do ar residual ou quando há lesão da pleura visceral. Isto pode ocorrer durante introdução dos instrumentos na cavidade pleural, porém é uma complicação muito fácil de se resolver, devendo apenas ser observado até a reabsorção espontânea ou, em casos sintomáticos, utilizar um dreno torácico.

Hemorragias normalmente são originárias de lesões de veias intercostais, no entanto são facilmente corrigíveis. Em casos mais graves a toracotomia pode ser necessária.

A nevralgia intercostal é uma dor de moderada a forte intensidade, decorrente de lesão térmica do nervo intercostal ou da compressão do mesmo pelo instrumental durante o ato cirúrgico. De fácil controle, normalmente desaparece em três a cinco semanas.

Pelo exposto, a simpatectomia torácica é um método extremamente eficaz e definitivo para tratamento da hiperidrose, com um mínimo de efeitos colaterais, desde que realizada por cirurgião torácico experiente. 

 

Para outras informações consulte os seguintes sites:

www.hiperidrose.com.br

www.clinicadosuor.com.br

www.endoscopic-surgery.com   

www.suandoembicas.com.br

 

IDP - Santa Casa de  Misericórdia de Maceió (SCMM) – Fone: 2123-6288

Equipe cirúrgica:

 

Dr. Artur Gomes Neto

Dr. Frederico Mansur Branco

Dr. Iria Cássia  Abreu da Costa

 

Endereço para atendimento:

R. Dias cabral, 414 – Centro – Maceió-Al

Fone: 2123-6288 CEP 57020-250

 

 

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