Santa Casa
Guia de Saúde Mental

A DOR É DE QUEM TEM

Se eu tiver uma dor de dente procuro um dentista.

Se eu quiser ganhar peso, perder peso ou com alguma doença que tenha alguma restrição alimentar, tranquilamente vou a um nutricionista, mesmo que não cumpra a prescrição tal e qual.

Se eu quebrar um braço ou uma perna, ou qualquer parte do corpo que tenha que ser imobilizado e a função motora fique comprometida, passo até meses fazendo fisioterapia.

Assim ocorre em todas as áreas. Há momentos da vida que precisamos de um advogado, de um contador, de um mecânico… Poderia ilustrar aqui por horas vários “se”.

Mas para quê mesmo se precisa de um psicólogo?

O imaginário popular está permeado de preconceitos: “psicólogo é para doido, eu não tô doido”. Realmente a psicologia se difundiu muito lidando com as doenças mentais. Continua sendo de fundamental importância a presença e trabalho do psicólogo nas afecções tidas como psiquiátricas.

E mais precisamente no hospital geral, para quê psicólogo?

Diante da doença e/ou internação nossas certezas são colocadas em prova. É tudo muito novo. Pessoas estranhas invadem nossa individualidade e até mesmo intimidade.

É também no adoecer do corpo que retomamos algumas questões significativas de nossa história de vida. Parece que tudo vem à tona. Todas as dores, culpas, angústias, ansiedades, medos, entre outros, que em certos momentos como este da hospitalização emerge de forma mais pulsante na vida do paciente e de seus familiares.

Cabe ao psicólogo hospitalar se fazer presente também neste momento, por vezes conturbado, e ofertar uma escuta diferenciada para além das questões orgânicas que estão presentes. É escutar o sujeito doente, mas para além de sua doença diante do caos que com essa pode advir. E escutar é também fazer o paciente se ouvir, ecoar o dito. Só assim, este pode começar a (re)significar elementos conflituosos em sua vida, ou seja, dar um outro sentido em sua história de vida a partir do recontar sua história para um outro (o psicólogo) que não emitirá parecer de certo ou errado, mas estará junto ao paciente fazendo com que ele busque uma melhor solução para o lidar com este momento penoso.

Desta forma, entende-se que esta escuta diferencia da de um mero ouvinte. Sabe-se que qualquer pessoa mais sensível ou humanizada pode escutar as lamentações de um outro. Porém, é o profissional psicólogo que irá diagnosticar e intervir junto a esse sofrimento psíquico, auxiliando nos recursos de enfrentamento desta dor.

Com a família não é diferente. Há uma mudança nos papéis que cada um exerce diante do adoecimento e/ou internação de um de seus membros. E o psicólogo hospitalar também pode estar lá. Apto a escutar o que daí emerge.

O psicólogo ainda poderá servir de ponte entre paciente/família com toda equipe de saúde. Favorecendo uma maior compreensão do sofrer e a maneira com que lida com o processo de doença pelo qual passam.

Busca-se um psicólogo quando há um sofrimento psíquico. É só nesta relação que é possível ser estabelecido algo que facilite o lidar com sentimentos tão intensos.

Sustentando que o escutar é singular, diz respeito a apenas e somente apenas aquele sujeito. Isto é, cada um sofre de um modo único e precisa, portanto de uma escuta única.

O Serviço de Psicologia Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Maceió (SCMM), está disponível para as necessidades de atendimento em todo seu complexo hospitalar. Sejam nas UTI’s, enfermarias, apartamentos e nos ambulatórios (oncologia e nefrologia).

Conta-se atualmente com 10 psicólogas especialistas em Psicologia Hospitalar com pós-graduação da renomada Divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Estas psicólogas estão sempre em atualização. Buscam através da realização de pesquisas contribuir com o desenvolvimento científico da saúde, como também, possibilitam a troca de saberes através da oferta de estágios na área de psicologia hospitalar.

Ainda na SCMM, o Serviço de Psicologia Hospitalar, está presente em projetos assistenciais que não só dizem respeito ao atendimento individual ou da família, mas a toda Sociedade Alagoana. Atualmente, integramos o Projeto Tabagismo, o Projeto Mama, o Curso do Casal Grávido, entre outros.

Todo paciente (e/ou familiar) interno na SCMM ou acompanhado ambulatorialmente nos serviços de oncologia e nefrologia, para ser atendido pelo Serviço de Psicologia pode realizar sua solicitação à equipe de saúde.

Assim, para a dor que anuncia a existência de um ser humano que sofre, busque a escuta do psicólogo.

 

 

 

Anamarina de Oliveira Soares

Psicóloga da Oncologia

(CRP: 15/2083)

 

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